Os últimos relatos que ouvi foi de que ele estava como sempre. Mesmas roupas e costumes excêntricos que eram marcas de sua personalidade. Reclamava da vida, perguntava coisas que não faziam sentido para ninguém além dele próprio. Cantava alto em lugares públicos, lia com bastante regularidade na biblioteca local, e fazia bolos de vez em quando.
Ninguém entendeu muito bem o Jorge em vida. Ele até que tinha bastante colegas e amigos. Das características que o tornava uma pessoa insuportável para alguns, menciono sua mania de discordar de tudo. Isto e a maneira seca, e muitas vezes agressiva, de falar com seus conhecidos. Fazia isto sem explicação aparente.
Mas fato unânime entre seus circundantes era que Jorge era uma pessoa muito esquisita. Talvez por isso não foi possível entrever, em seu comportamento, o destino que estava por se lhe abater.
Foi assim, de repente.
Sua mãe só se deu conta que Jorge deixou de existir quando terminou a novela das sete e se trocava para dormir. Em vão percorreu as trilhas meio apagadas da memória em busca do filho perdido.
Seu pai soube na estrada. Estacionou o caminhão e chorou de soluçar.
Cada um de seus amigos reagiram de uma forma. Uns choraram, outros ficaram sem nenhuma reação. Teve quem se desesperou e quem sentiu remorso.
Da reação dos irmãos do Jorge não quero mencionar, para que não haja confusão entre estes e os meus irmãos.
Acontece que Jorge morreu. E o corpo não foi encontrado.
Não houve ritual coletivo que certificasse o óbito.
Aliás, nem faz sentido eu falar do dia em que ele morreu, já que a data do ocorrido é inapreensível.
O que sei é que ele continuava cumprindo o mesmo cronograma de atividades, ingerindo as mesmas refeições, falando dos mesmos assuntos, se angustiando com os mesmos medos e apreciando as mesmas sensações.
Até que um dia não os fazia mais.
Ninguém o matou. Apenas houve a constatação.
E o primeiro a anunciá-la foi eu mesmo.
Foi assim, de repente.
Sua mãe só se deu conta que Jorge deixou de existir quando terminou a novela das sete e se trocava para dormir. Em vão percorreu as trilhas meio apagadas da memória em busca do filho perdido.
Seu pai soube na estrada. Estacionou o caminhão e chorou de soluçar.
Cada um de seus amigos reagiram de uma forma. Uns choraram, outros ficaram sem nenhuma reação. Teve quem se desesperou e quem sentiu remorso.
Da reação dos irmãos do Jorge não quero mencionar, para que não haja confusão entre estes e os meus irmãos.
Acontece que Jorge morreu. E o corpo não foi encontrado.
Não houve ritual coletivo que certificasse o óbito.
Aliás, nem faz sentido eu falar do dia em que ele morreu, já que a data do ocorrido é inapreensível.
O que sei é que ele continuava cumprindo o mesmo cronograma de atividades, ingerindo as mesmas refeições, falando dos mesmos assuntos, se angustiando com os mesmos medos e apreciando as mesmas sensações.
Até que um dia não os fazia mais.
Ninguém o matou. Apenas houve a constatação.
E o primeiro a anunciá-la foi eu mesmo.
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