terça-feira, 2 de julho de 2019

Cabeçadas postelídeas expirulituais; Agonia incapaz de ser dita.

Começando bem o dia, foi caminhando até a esquina,
correu do cachorro da dona Maria.
Choveu de lágrimas as patrícias da praça central.
Quando chega em seu catre, estende as vestimentas de xadrez,
corre até conseguir despistar.
Foge! foge de todos! foge daí! Se perde em si.
Vício mórbido ocupa o quarteirão de sua cartola,
que voa sem ver, sem guarda, sem previsão de estadia.
Mas ainda ali, retorna ao centro, retorna à mordaça,
que rechaça!
Em desejo de carícias nas mais sensíveis áreas do seu ser,
agora não quer nem querer.
Quando era pra ser, foi a maldição
do corrimão solto do infindável círculo de escadaria.
Mas já pede pra sorte que lhe dê um pouco de calor,
um pouco de movimento, agitação,
“Porra, eu não sei se era pra ser assim,
tão áspero e duro,
mas eu vou correr, quem sabe se afrouxa,
amacia”.

Correu do cachorro da vizinha, cansou da excitação generalizada,
estendeu, se prendeu, de novo se perdeu.
Mas que tempo era narrado, se não sabia escrever?
Analfabetismo é cruel quando se pensa no inconsciente,
mas não é possível que fugindo se encontraria
numa grande sequência de encantamentos,
nos quadros gerais de normas e regras.
Todo padrão é assassino,
ainda que se ouse buscar o que se diz ser real,
fatídico, verídico e fixo.
Mas é além dos ídolos que se deve ir,
para além da linha brumosa do horizonte...

Agora já se esqueceu.
Já não é o que pretendia ser quando falava do “eu”.
Jogou todo o ideal pra cima,
tornou a pegar, do chão do seu escritório, a caneta,
que era a perpétua estação.
Como já era outro homem na corrente de tempestade,
parou de percorrer os círculos,
mas só até tornar a encontrá-los...